terça-feira, 22 de junho de 2010

lá do décimo andar

E eu lá espiando do décimo andar, onde já se viu isso? Naquele dia decidi olhar como andava o mundo La embaixo, através das lentes do meu binóculo, queria ver coisas que apenas eu veria, coisas que lá de baixo não se pode observar.
Virei as lentes na direção do sushi, fui passando de mesa em mesa, uns velhos numa delas, falavam sobre raparigas e experiências de sexo; na outra um casal, ele com a mão por dentro da saia dela; mulheres conversando sobre seus maridos...
Meu binóculo já passa despercebido, sem achar que iria encontrar algo interessante, quando de repente numa mesa mais escondida como se quisessem se afastar um pouco do mundo, ou pediam mais sigilo, duas jovens.
Parei um pouco nelas, uma me chamou bastante atenção, ela falava de Radiohead , livros e escritores, me parecia ser dona de uma liberdade tão grande
Falava empolgada, se atropelava as vezes, ria de si mesmo, me parecia do tipo destrambelhada, mas passava um certo charme, cabelos num tom acastanhado, olhos bem pretos pareciam duas jabuticabas, tão pálida, ela era linda, uma beleza incomum.
Sabe, não era do tipo: gostosa por fora e um lixo por dentro. Ela era gostosa por fora e por dentro, daquelas que se podem ter uma conversa descente, de que se possa discutir a existência de um são Jorge num cavalo preto.
Já fazia um tempo que estava vidrado ali, eu precisava descer, nem que fosse comprar uma coca-cola, e precisava passar por ela sentir seu cheiro sentir sua essência.
Coloquei a primeira camisa que vi pela frente, desci desesperado pelas escadas, corri pro bar.
Como assim a mesa estava vazia? Cheguei mais perto, perguntei a um garçom sobre duas moças sentadas naquele lugar, ele me disse que já tinham ido, eu não podia acreditar mal a encontrei e já tive azar de perdê-la. Voltei pra casa desapontado e fiquei pensando se um dia eu iria volta a encontrar.

Nenhum comentário:

Postar um comentário