Não sei dizer bem o que eu sentia ao entrar na casa dele, talvez um certo pavor, mas daqueles que não me faziam temer ele, só me trazia pra perto. Eu jamais imaginava o que ocorrera naquela casa meses antes, mas de certo era algo muito misterioso, que se escondia atrás de pés, mãos e até orelhas!
Certa vez enquanto ele preparava o jantar, resolvi bisbilhotar o baú de seu quarto, milhares de tralhas e trambolhos velhos, percebi um fundo falso, no qual encontrei potes com tais partes, pareciam tão conservadas e femininas, reparei um que estava vazio e com um papel escrito: a se pensar!
Na mesma hora percebi os passos, tratei de fechar e sair correndo ao seu encontro.
Desde então pensava muito nele, pensava às vezes ser um psicopata que matava todas suas amadas por ciúmes, mas depois comecei a ser mais realista, ele não era nenhum tipo sanguinário, e muito menos assassino.
Era do tipo possessivo, e ao passar do tempo fui percebendo que ele se alimentava cada vez mais de mim, era como se eu fosse alimento de seu espírito, como se ele necessitasse de mim cada vez mais e com maior freqüência.
E como eu queria ser dele, mas não queria apenas uma parte, queria ser por inteira, queria que minha alma fosse toda dele, em três meses fomos tanta coisas que pareciam ter se passado três anos, talvez por nossas essências que se encontraram e se apaixonaram, o que importava não era o tempo e sim a intensidade, eu já não era capaz de desejar homem algum se não ele.
Mas só uma parte de mim caberia a ele, e eu desconfiava de meu nariz, aquele que ele adorava brincar e as vezes chegava até a morder, me lembro como se fosse hoje do nosso primeiro encontro naquela sorveteria que ele atirou uma bola de sorvete de menta em meu nariz e começou a lamber.
Hoje ele fez tudo diferente, me mandou um café da manha me chamou pra jantar e depois assistir filme na casa dele, no meio do filme sentia minhas pernas dormentes e aos poucos fui adormecendo, desde então só me lembro da hora que acordei.
Deitada no chão de algum beco ouvia o som de sirenes vindas de longe, ainda movi minha mão e pus em meu rosto, não encontrei meu nariz, eu estava certa.
Cada vez mais o barulho chegava perto, mas antes que ele me alcançasse, eu perdi todos os sentidos meu coração começou a bater lentamente, perdendo a força aos pouquinhos meus olhos se fecharam, e eu me tornei dona de uma paz imensa.
Estampado nos jornais: assassino em série ataca de novo! Dessa vez a menina sem nariz.
segunda-feira, 28 de junho de 2010
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